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 SNOOP DOGGY DOGG 

A ARCA DE NOÉ APRESENTA

SNOOP DOGGY DOGG
O incrível animal que late ritmos e poesia

Numa sociedade dividida entre os que têm e os que não têm pedigree, o movimento hip hop é, atualmente, o único baseado em questionar os valores usados para tal divisão. A arte de maior expressão do hip hop é sem dúvida a música. O rap tem diversas variações, entre elas o gangsta-rap, a mais vira-lata de todas.
Snoop Doggy Dogg é o paradigma deste estilo de confrontar velhos costumes de segregação social e, ao mesmo tempo, de uma vida vadia-cheira-rabo-de-cadela (o “estilo cachorro” bem cantado pelos Racionais MCs).
Mas o mais significativo na carreira de Snoop Doggy Dogg é a força do latido. A poesia feroz ritmada em bateria eletrônica e com colagens sonoras do gangsta-rapper comprovam que o hip hop é o movimento sucessor da contra-cultura dos anos 60, da rebeldia punk dos 70 e do grunge suicida do começo da década de 90. E com um detalhe vantajoso: tem estética musical bem mais atraente e um verbo bem mais poderoso e afiado.
Já dizia o velho lorde “cão que late não morde”. Porém foram os cães de raça que ficaram mordidos com o latido de Snoop Doggy Dogg. Caso contrário, eles não colocariam na capa do CD de Snoop um selo de advertência aos pais sobre o conteúdo das letras das músicas. Parodiando novamente os Racionais: “olha só, mas quem diria/ seu filhote quer virar latas, que ironia”.